| Resenha
sobre «LA DESHUMANIZACIÓN DEL ARTE» GASSET, José Ortega y. La deshumanización del arte. Obras Completas. 2ª. ed. Tomo III. Madrid: Alianza Editorial, 1993. José Ortega y Gasset (1883-1955), filósofo espanhol nascido em Madrid, autor de várias obras de grande importância para o pensamento contemporâneo, como Meditaciones del Quijote, El Tema de Nuestro Tiempo, El Hombre e la Gente, La Idea del Principio de Leibniz e La Rebelión de las Masas, foi professor de metafísica, escrevendo sobre os mais diversos assuntos, inclusive sobre estética. Entre suas obras de estética, a mais conhecida é La deshumanización del arte, que, escrita em uma época de grande revolução da arte mundial, serve para “clarear” o pensamento nascente sobre a arte moderna. Nesse livro, Ortega sugere qual o papel da arte na cultura contemporânea. Para ele, a arte é como um elo entre a vida social e o homem. Ortega y Gasset deixa explícito que seus escritos se voltam para explicar os problemas de seu tempo. Para ele, o pensador tem que lidar com os problemas de sua época, pensar o que acontece em seu tempo. Cabe-lhe fazer aquilo que sua sociedade espera explicar, porque as coisas se passam da forma como se passam. Ao falar da forma como a nova arte é tratada, Ortega y Gasset estuda a relação entre a vida social do homem e a influência da arte. O filósofo espanhol quando fala da impopularidade da arte, no primeiro capítulo do livro, esclarece de onde ela provém. Na história da cultura decorrente nos últimos séculos, a arte representou a vida cotidiana através de quadros, esculturas, peças teatrais. A nova arte contraria essa tradição, e Ortega esclarece a dificuldade das pessoas se reconhecerem nas obras da nova arte, já que ela não ilustra suas vidas, e propõe uma obra puramente estética. Sem os dramas e paixões da vida humana e é esse o tema central dos principais capítulos, não se pode compreender os caminhos da nova arte. O
filósofo observa que a
nova arte seria aceita, pelo menos durante algum tempo, por uma minoria
seleta, constituída de artistas ou adeptos do puro prazer estético.
Pelo fato de fugir das formas tradicionais, poucos a entenderão como
objeto de pura criação artística.
Ortega não vê um futuro promissor para a arte nova, pois ele
acredita ser impossível desvincular a vida social ou pessoal do artista
de sua criação, logo lhe parece destituída de êxito a tentativa de
criar uma arte pura como pretende a nova geração de artistas. A
explicação do filósofo para o insucesso da nova arte é que ela está
fora da vida das pessoas, e não é possível, na sua avaliação, um
objeto estético que fuja, que não represente algo para o homem.
Num
dos capítulos mais interessantes intitulado “Unas
Gotas de fenomenología”, Ortega explica como pessoas diferentes
que vivem uma mesma situação a perceberão de modo distinto. Trata-se
de uma meditação muito profunda sobre a maneira como nos inserimos no
mundo. A forma como a realidade nos atinge está ligada ao modo como
estamos inseridos nela: “Se
trata, pois, de uma perspectiva oposta da vida espontânea. Em vez de
ser a idéia instrumento com que pensamos um objeto, fazemos dela objeto
e término de nosso pensamento” (p. 363).
Como Ortega emprega sua concepção metafísica de inserção no real para avaliar a nova arte? O que acontece com os novos artistas é que eles tendem a desconsiderar o aspecto da realidade vivida, fato que afasta o homem da arte. Para entender a nova arte, o filósofo a aproxima de seu tempo. Cada época revela uma tendência, e a nova arte também é uma nova tendência, porém rompe com as anteriores. A arte moderna tende a ir contra a mais antiga, espera substituí-la.
A
metáfora parece-lhe o mais radical instrumento da desumanização da
arte, pois esta pode tanto “enobrecer como empobrecer” o objeto artístico,
os jovens artistas a utilizam para dizer aquilo que não pode ser dito
por outras formas de expressão. No entanto, o afastamento da linguagem
do seu suporte real fez com que o artista perdesse o sentido de
realidade e mergulhasse no seu mundo interior. O que também acontece é
a inversão de papéis na nova arte, tratam-se como protagonistas as
coisas que são tidas como as mais simples na vida. A metáfora é posta
como sustentação, não é mais utilizada como adorno, “aqui
não vamos da mente ao mundo, sim ao revés” (p. 376). Sendo assim,
a contemplação da arte nova não pode ser a mesma da antiga, já que a
nova arte não tem pretensões de transcendência.
O
filósofo distancia-se do entusiasmo ou ira provocados pela nova arte,
ele procura ter uma visão mais objetiva do assunto, em todos os
momentos percebe-se a tentativa de compreensão da nova arte. O que
entender por desumanização? O afastamento da arte da vida vivida, do
quotidiano compartilhado pelo homens. Essa seria a tendência da arte
contemporânea e seu produto seria o afastamento do homem comum da arte
produzida nos tempos atuais. Na perspectiva da filosofia da razão vital
nenhuma produção humana pode prescindir do seu criador. Assim, a produção
artística não pode saltar fora das circunstâncias em que foi
produzida. Isso está longe de dizer que o meio produz a arte, diz
unicamente que não há como retirar o caráter histórico e situado do
que o homem produz. A meditação orteguiana adianta a crítica à
desrealização, que o pensamento existencialista proporcionou, e
procura estabelecer, também nesse campo da vida, o significado da produção
humana. Daniela
Paula Silva Acadêmica
de Filosofia da FUNREI PIC-FUNTIR |
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